Escrever

O melhor de escrever é, com certeza, ter o poder de reler depois. Se eu só pensar, dificilmente conseguirei me lembrar, com fidelidade aos sentimentos, o que passava na minha cabeça naquele exato momento. Agora a escrita que permite isso, permite que ao reler um texto antigo, consiga me lembrar o que me movia, o que eu estava pensando quando digitei cada caractere daquele. E me faz reviver.

Pego-me relendo vários dos textos aqui do blog e voltando ao passado, revivendo aqueles momentos. Relembro os motivos de cada um deles. Há algumas vezes que me lembro de como eu pensava sobre mim mesmo, sobre como eu era e me descubro hoje um pouco mais ou um pouco menos daquele Luis Renato.

É, encontrei novos motivos para continuar escrevendo.

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Minha determinação

Engana-se quem, ao conversar comigo, acredita na confiança e determinação com que as palavras que saem da minha boca soam. Parece uma confissão de falsidade, mas não é. Já ouvi por algumas vezes as pessoas dizerem invejarem ter a confiança que tenho, a certeza das coisas que quero e busco. Ouvi dizerem que até tenho convicções muito claras e definidas, mas o que ninguém é a convivência que tenho com dúvidas e indecisões.

Parece que quando cresci, decidi como seria tudo dali pra frente e venho seguindo, com algumas pequenas alterações, de forma muito normal e seguindo o script. Mentira! Duvido até hoje que minhas decisões tenham sido as melhores.

Talvez minha diferença para muitas pessoas, seja a conscientização. Eu me conformo que não tenho como alterar o fato de ter escolhido o que escolhi. Já tomei aquela decisão, seja ela boa ou ruim. Eu apenas tenho que lidar com o que vier. E isso eu posso alterar! Eu posso mudar o que está por vir, então me concentro nisso. Se eu escolhi errado lá atrás, mas vir nadando contra a maré, pode ser que ali na frente eu retorne em uma posição que teria se tivesse tomado uma decisão diferente. Mas não será igual.

Mesmo assim eu convivo com as dúvidas de como seria. De como eu seria e de como estaria. E continuo achando que dificilmente estaria melhor do que estou hoje. Porque essas dúvidas me alimentam a buscar que hoje eu esteja melhor que eu em um hipotético hoje após uma decisão diferente lá atrás. Isso sim faz diferença.

Não é a determinação ou certeza que tenho quando falo das decisões que tive durante minha trajetória que fazem a diferença e sim a vontade que tenho de estar melhor que o Luis Renato do universo paralelo ao lado.

O retorno

Depois de muito tempo eu decidi voltar a escrever. Talvez seja o álcool mais uma vez falando por mim e me colocando na frente do papel e da caneta (mesmo que digitais) e me forçando a escrever, mas eu creio que seja mesmo aquele meu velho eu dizendo que este novo ser também deve escrever. Este novo eu deve manter alguns velhos hábitos.

Sim, novo eu. E começando pelo jeito que escrevo. Desta vez nada de abrir o word e escrever, ler e reler. Agora abro o próprio blog e começo a redigir, com menos maquiagem, menos ajustes. Menos, porque sem maquiagem seria impossível (já redigi este parágrafo algumas vezes e continuo achando que não está bom).

Assim como o antigo eu desejo me apresentar e dizer: Prazer, Luis Renato. Eu até diria “ao seu dipor”, mas vou lá saber que tipo de maníaco visita este blog de maníaco. Bom, acho que fiz as honras da casa e me apresentei. A partir de agora serei eu (este novo eu) que irá usar este espaço. E seria legal colocar uma faixa de “sob nova direção” neste blog.

Mais um fim

E alguém te disse uma vez: segure ele porque nunca vai conseguir alguém melhor. E é verdade. Muito dificilmente irá encontrar alguém que se doe assim pra ti, que faça tudo para que se sinta feliz, que tente te surpreender todos os dias e que te aguente. É, talvez você não seja tão chata assim, talvez seja só má vontade. Só que ninguém te suportaria tanto assim, pelo menos não desse jeito. E essa e a minha deixa.

Percebi que não adianta querer algo sozinho, isso aqui esta desproporcional demais para dar certo. Por mais que eu queira, sozinho eu não conseguirei que isso dê certo. Não conseguirei fazer com que tente se desculpar quando estiver errada, não conseguirei que seja mais compreensiva e nem que não ligue para coisas tão pequenas. Não conseguirei, na verdade, que não seja você mesma. Então..

Não irei, em momento algum, tentar dizer que também errei. Eu sei que errei, mas esses meus erros nada tem a ver com isso e a única culpada de verdade é você! Você e só você. Também não tentarei achar desculpas ou mesmo tentar identificar o momento exato que isso se perdeu, tentarei somente aceitar que se foi.

E por último, só direi que apesar de tudo foi bom te conhecer e perceber que mereço mais que você. Perceber que mereço alguém que me queira de verdade e que faça com que de certo também. Foi bom saber o que há de ruim para poder reconhecer quando algo bom vier.

Meus textos II

Não, aquele texto não foi nem pra você nem pra ela nem pra ninguém. Não vou transformar esse blog em um canal de indiretas, para isso eu já tenho meu twitter – que aliás anda tão parado quanto esse blog.

A maioria dos meus textos nasce de fragmentos de conversas, filmes ou experiências. Aí então sempre anoto no celular, porque se depender do meu cérebro, adeus texto. Depois ainda tem a generalização, a adaptação… Alguns são inspirados em mim e até são bastante fiéis à realidade, mas nem todos. Outros são baseado em casos se quer existiram, eles são frutos dessa minha louca imaginação que insiste em criar e recriar histórias sem que elas tenham um sentido de fato.

Então, não tente procurar nestas poucas linhas que escrevo, qualquer tipo de indireta ou mesmo que estou te expondo. Todos texto são obras de ficção que no máximo são baseadas em fatos reais, assim como os filme de Hollywood.

Meu amigo

Eu não nasci me conhecendo, não. Eu, assim como aquele colega de sala que não costumamos ter muito papo, durante muito tempo só convivi comigo mesmo. Aos poucos eu fui me aproximando de mim mesmo e me encantando por mim mesmo. Passei de colega a amigo, mas isso levou um tempo e muita conversa. Sim, conversa. Eu costumo conversar comigo mesmo.

Essas conversas e esse convívio contínuo e obrigatório me tornou amigo de mim mesmo. Porém, ainda guardo alguns segredos de mim mesmo. Coisas que vou descobrindo aos poucos, descobertas de dons, qualidades e defeitos.

Hoje, eu sou meu amigo, meu conselheiro, meu ídolo. Eu me admiro pelo que acho que sou, uma visão muito particular sobre eu mesmo. Visão que pode estar errada, mas isso eu só vou saber quando me conhecer um pouco melhor.

Conto

Vou lhe contar uma lenda bastante antiga. Nasceu há mais tempo do que eu consiga imaginar. Um conto sobre um belo moço, encantador, simpático e dotado de um dos mais belos sorrisos e uma moça bela, ingênua e carente. E eles se conheceram. Começa a história.

O rapaz sabido da vida e dos segredos da arte da conquista seduz nossa moça, mas não de uma forma normal. Esse nosso personagem consegue aflorar uma paixão diferente algo intenso, sincero e arrebatador como ela jamais sentira. A moça é levada ao delírio com palavras certas e adquire pelo desconhecido uma confiança inédita. Diz e faz coisas que jamais pudera imaginar.

Nosso jovem também sente algo por ela mas nada comparado ao sentimento dela, ele sabe. Já sentira isso antes e a história parecia se repetir. Mas ele deixa a situação fluir, apesar de sua razão pedir que pare ele está levado pelo momento. Ele sabe que pode feri-la, como já fizera, há vários agravantes, mas ele insiste. Pode ser que dessa vez seja realmente diferente.

Após um tempo, ele revela a ela seu medo, diz que o sentimento dele não é tão intenso quanto o dela. Ela não liga, cega de paixão e predestinada a mudar isso, insiste em continuar e ele passa a alimentar esperanças.

Mais um tempo depois e eles se encontram… A paixão é fluida pelo ar e os dois deixam-se levar pelo momento. Ambos sabem que ele não sente por ela o mesmo que ela sente por ele. Mas a quem importa nesse momento? Contudo, esse encontro revela muito: ele percebe que ela não é ela e ela percebe que ele é ele. E agora começa o problema.

O final desse conto é um tanto óbvio: ele irá ferir a moça. Ela que se abriu pra ele de um jeito único e deixou-lhe curar feridas, superar medos entender segredos, sente agora a gratidão e o desejo de retribuir-lhe. Mas ele se fechara. Ele sabe que ela não é a pessoa certa a se abrir e dividir medos e sonhos. Esse contrapeso é cada vez mais claro e isso dará errado. E deu. Fim.

Minha hipocrisia

Cansei deste jogo. Ela quer, mas faz de conta que não. Ele trai e finge como se nada tivesse acontecido. Os pais fingem terem sido os jovens mais corretos e os filhos fingem também os serem. Nós nos vestimos de hipocrisia e saímos pelo mundo. E seguimos jogando esse jogo onde fingirmos o que sentimos ou fazemos. Não vou pregar a moralidade por inteira, eu também não a cumpro. Afinal, faço parte do jogo mesmo que tente não fazer. Eu sou mais um pino neste grande jogo.

O que quero aqui dizer é que não é porque estou nele que devo ser conivente. Eu busco não ficar ainda mais refém deste jogo de hipocrisia e máscaras. Não é questão de dizer a verdade de fingir ser sincero e um grande mocinho. Não sou nenhum dessas coisas. Todo mundo, e quando digo todo mundo é todo mundo mesmo, é hipócrita.

Eu não sou um cara sincero, sou sincero no que me que me é favorável, assim como minto quando me faz necessário. Apenas algumas vezes isso muda. Mas o que digo não é questão de ser sincero, mas sim de ser um pouco mais transparente. Não é questão de mentir quando é perguntado e sim de mostrar o que é verdade sem mesmo ser questionado.

Minha carência

Eu nunca neguei minha carência a quem me perguntaste. Isso faz parte de uma das minhas características mais notáveis. E essa característica determina, direta ou indiretamente, quase todas as características que possuo.

Observando atentamente você reconhece que essa busca incessante por atenção é sim uma expressão dessa carência. Essa é uma das mais nítidas, mas nem todas são assim. A minha sempre prontidão a atender ou mesmo minha preocupação com bem estar alheio são indiretamente derivados de minha carência.

A minha determinação e minha autoconfiança, também. É que ambas atendem a um pedido particular de auto bajulação. E por mais que todos que possam acariciar meu ego, eu mesmo também devo fazê-lo.

Mas só essa minha bajulação não é o bastante. Eu tenho a necessidade de escutar isso de você que eu já ajudei, você que eu já fiz tão bem. Eu sei que depois que disser não vai mudar muita coisa, mas na hora meu ego vai inflar. Depois pode ser que eu esqueça ou que no outro dia precise de mais, só que naquele momento vai bastar.

E talvez seja isso que peço em troca. Não quero que me dê nada em troca quando eu fizer algo, nada além de reconhecimento. E isso, isso te custa nada e paga mais qualquer outra coisa.

Tempos Modernos

Em um mundo tão moderno (ou seria ~moderno~?), eu me orgulho mesmo é de ser careta. Por mais que eu tente aderir a certas tendências, eu sempre vou parecer aquele tio de quarenta anos usando calça boca de sino (ainda usam esse nome?) que o máximo que consegue é chamar a atenção pagando um mico.

Eu não gosto de modinhas. Desde patinete ou tamagotchi eu não me dava muito bem com elas. Eu não sabia que era viral, mas talvez percebesse que não adiantava perder energia com aquilo.

Eu já fui muito careta nessa vida. Talvez até motivo pra um sarro aqui ou ali. Não, não era bullying porque isso é modinha. Era sarro mesmo. Um careta que nunca fumou, nem mesmo aqueles narguilé (ou narguile, ou seja lá como se escreve isso). Um careta que ainda é fiel e sempre foi, vê se pode.

Mas um careta tranquilo consigo mesmo. Que não come merda porque tá todo mundo comendo. Tá, eu não sou imune a elas e já me deitei com algumas das modinhas (como deixar meu cabelo encaracolado crescer porque eu ficava ~bonito~). Ahvá! Eu ficava era mais estranho ainda.

Mas de certa forma eu aderi a um número pequeno delas e sou sim um careta confesso. Sem qualquer medo de ~bullying~ ou sarro. E se eu errei na utilização destes ‘~’ ou ficou ridículo (eu acredito fortemente na segunda opção) é para verem que nem todo mundo sabe aderir a modinhas. Alguns vão ser sempre, no máximo, o tiozão tentando ser ~moderninho~.

Autocritica

Textos fictícios de uma vida real. Sempre me critico com a mesma veemência que me idolatro. A autocritica já faz parte da minha vida.
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