Um brinde às amizades sinceras

Por favor, meu amigo, encha o copo. Agora levante-o e fale, pode ser baixinho, mas fale: um brinde às amizades sinceras.

Os meus amigos com certeza conhecem esse brinde. Brinde que originou-se num ato de falsidade, num momento que se poderia brindar qualquer coisa, menos isso. Mas é daí que surgiu nosso brinde, nosso hino. Ele poderia ter começado num momento difícil, num momento marcante, mas não. Ele iniciou-se com uma história que não é nossa e que malemal conhecemos os personagens.

Os que escutam pela primeira vez devem pensar que se é amizade, não precisa explicitar o sincera. Pobres mortais! A graça está exatamente aí. E em toda essa história de falsidade, toda essa necessidade de explicar que a amizade tem que ser sincera e no quanto isso parece falso. É isso que mostra o quanto a nossa amizade, a amizade dos que erguem o copo ao ouvirem esse brinde, dos que conhecem esse hino, é totalmente diferente de tudo isso.

Esse brinde se tornou um hino aos poucos. Um brinde que foi passando de amigo a amigo sem precisar ser alarmado. E deste ato de falsidade inicial, tornou-se algo marcante. Marcou assim como cada história, cada churrasco, cada conversa, cada abraço, cada amizade!

Esteja onde eu estiver, ao lembrar desses amigos, dessas histórias, desse momentos, eu sei que um sorriso virá ao meu rosto, uma lágrima virá aos meus olhos e uma frase virá em minha mente: um brinde às amizades sinceras.

Luis Renato dos Santos

Minha sorte

Este é, com certeza, o texto mais doloroso que já escrevi. E, ao contrário do que possa estar imaginando, ele não descreve uma caso de amor mal resolvido e nem mesmo me critica. Aliás, pelo contrário, esse texto me elogia.

Você pode se perguntar como isso feri alguém, principalmente alguém carente. Pois bem, eu odeio me enaltecer sobre coisas que faço bem feitas. Neste momento os que me conhecem, ou pensam que conhecem, esboçam um sorriso e pensam que estou a mentir, afinal eu me acho demais. Estão enganados…

O que veem não passa de carência e autoafirmação, pois,  eu dificilmente acredito quando digo aquilo. Ou no máximo é um pedido do ego para confirmação de terceiros. Então, ou eu não acredito no que digo ou é um apelo por aplausos.

Eu não sou dos mais católicos, talvez a crença não me falte, mas a religião em si… Acho que sou racional demais pra algumas coisas. Mas eu tenho minha fé focada em algo bem específico: tentar fazer o melhor pelos outros e principalmente aos que me cercam. E acredito fielmente em que o universo é sim uma força de ação/reação. Fazer o bem é também recebê-lo e das maneiras mais variadas: dos que me cercam com amor e carinho, dos demais com sorte.

Eu tenho sorte, não tenho como negar. E (essa é a frase mais dolorida) eu faço bem aos outros. Quando leio ou ouço essa última frase, ela parece recheada de soberba, de um pretensiosismo tão grande que dói. Mas é verdade. Perdi a conta de quantos ajudei em momentos difíceis e hoje talvez ganhe um aceno ao encontrá-los na rua, talvez não. Mas isso não muda muita coisa, pois acredito que a gratidão que eu talvez mereça venha em forma de sorte. E dessa gratidão universal eu não tenho do que reclamar.

Luis Renato dos Santos

Suicídio

Por favor, não façam deste ato, um ato covarde. Acredito que quem chega a ponto de cometê-lo é porque não aguenta mais, não suporta mais ou não quer mais enfrentar. Chega um ponto que se torna inviável persistir assim. Acho que talvez seja isso.

Sabe quando você entra em uma montanha russa? Você tem medo é da descida, fato. A subida é tranquila, o medo é sempre com o declínio. E sabe quando chega ao auge, que você para de subir e só espera que comece a descida? Você nem precisa ver, só precisa sentir. Sabe que o abismo o aguarda. Pois é, isso ocorre na vida também. E esse medo pode ser insuportável. Porém, diferentemente da montanha russa, a vida não é opcional. Mas a saída, sim.

Eu entendo. Como já disse, esse pensamente é recorrente em minha mente e já o debati milhares de vezes. E se continuo aqui, é simplesmente pelo fato de estar vencendo o debate. Ainda.

Mas continuando com a analogia, sabe por que existem tantas montanhas russas? Porque quando termina, quando você sai do carrinho, você quer ir de novo. Você vê que a descida não é tão ruim assim. Vê que depois de cada descida tem uma nova subida e no final de tudo, você sai no mesmo patamar que entrou independentemente do número de subidas, descidas e loops. E na vida também é assim.

Só que assim como há quem não tenha força para entrar em uma montanha russa, há quem não suporte certas descidas da vida. Não é questão de ser covarde para sair e sim de não ter forças para ter entrado, mas isso não era uma opção.

Luis Renato dos Santos

Superei

Acostumei-me a não ter mais você. Demorou, mas hoje já não sinto mais sua falta. A rotina deu um jeito de manter-me ocupado o bastante para não pensar em ti. Assim como você se foi, a saudade partiu para nunca mais voltar.

Recordo de quando me disse sobre sua decisão de partir. Tentei argumentar e dizer que ia melhorar, mas eu mesmo sei que na verdade era só uma maneira desesperada de te convencer a mudar de idéia e sabia que com o tempo os problemas voltariam.

Mas você partiu deixando companhias comigo. No começo foi a liberdade e a novidade. Eu quase não senti sua falta e aproveitei-as de maneira intensa. Só que elas iam e viam, e cada vez com menos regularidade. E quando ausentes, elas deixavam somente a saudade comigo. E essa sim era dolorosa e cada vez mais hospedeira. Eu realmente senti muito sua falta.

Mas enfim eu me acostumei com sua ausência, com sua decisão de partir. Não serei hipócrita o bastante para dizer que não quero que volte, mas agora já não sinto saudade e não choro mais por isso. Vivo sem pensar em ti e agora melhor do quando tinha você aqui junto a mim.

Luis Renato dos Santos

Amizades Sinceras

Amizade, relacionamento presente na vida de todos nós. Difícil dividi-la por partes ou etapas mas certas características são evidentes. No começo, é a afinidade, risadas, companhia e interesses… São os papos sobre a ultima festa, sobre as mulheres da sua sala, sobre o que você fará nas férias. São as fofocas, as piadas e a gozação. É o futebol de sábado a tarde, o vídeo-game e os jogos de tabuleiros. São as risadas, são as risadas…

Aos poucos, surge a cumplicidade, o conhecimento, os segredos. É você sabendo que o pai dele se chama João e a vó dela chama-se margarida. É você sabendo que a vó dele mora com ele porque o vô faleceu faz algum tempo. É você descobrindo que a irmã dele e ele são inseparáveis ou que ele odeia o jeito prepotente e orgulhoso do irmão. É a mudança nas piadas, é rir daquele nariz torto, daquela barriga grande ou daquele andar manco. É rir daquele jeito ranzinza de manha na escola, rir da sua gagueira ou do jeito idiota que ele age perto de alguma pessoa. É saber que ele sempre foi afim da menina bonitinha da sala. É a parceira nas festas, são as fofocas. São as risadas, são as risadas…

Em seguida vem a confiança, o carinho e o respeito. É você sabendo que o pai dele que se chama João já teve problemas com a bebida e já chegou muitas vezes bêbado em casa. É  saber que quando o vô dele morreu ele foi um dos pilares da casa dele. São os churrascos de 5 pessoas sem musica mais legais que suas melhores baladas. É viajar para outra cidade sem falar uma palavra e não sentir tédio. É saber a hora de não falar só com um gesto dele ou dela. É sabe a hora de dar risada quando a pessoa precisa. São as brigas por coisas inúteis. São as piadas em relação as histórias horríveis do passado. É levantar para ir para uma festa só porque  ela não para de te ligar e você sabe que ela não vai parar. São as risadas, são as risadas…

Em seguida vem a saudade e o reconhecimento. A saudade. A saudade da simples companhia. A sinceridade daquele companhia que você sempre teve e as vezes não dava atenção. Aquela roda de conversa sincera que hoje faz falta na sua vida. São as risadas sinceras. São as piadas sem maldade. É aquela diferença crescente entre vocês, que mesmo aumentando, não altera  o jeito que você vê seus amigos. Você não enxerga um advogado, um viajante, um medico ou um engenheiro. Você enxerga aquela pessoa de 15 anos que quando você estava desanimado te tirava um sorriso e fazia você se levantar. Você não quer saber se ele está rico, está pobre, se conseguiu aquela promoção ou se esta desempregado. Você só quer abrir aquela cerveja e se sentir confortável como há muito antes não esteve. É o abraço sincero, é saber que futuramente você vai sentir mais saudade daquilo ainda. São as risadas, são as risadas…

Visionario Caolho

Mea culpa

É que nem sempre ser sincero é ser justo. E eu que adoro me vangloriar de ser sempre sincero, de tentar ao máximo não magoá-las e que tento não alimentar falsas esperanças, sempre percebi que de nada adiantava esse meu esforço. Sim, estou aqui assumindo mea culpa.

Não posso culpá-las de nada, afinal sou eu que não fui justo com elas. Elas estavam aceitando o desafio de me fazer mudar de idéia, de tentar com todas as forças serem felizes ao lado de um cara que era sincero com ela, mas não era justo.

Nunca foi justo deixá-la tentar isso. Eu, bem lá no fundo, sabia que não era o que eu queria, ou não era ela que eu queria. E agora percebo que mesmo sendo sincero dizendo que não era aquilo que eu queria, eu persistia dando esperanças ou sei lá eu. Só sei que justo não foi.

Não é nada fácil assumir toda essa culpa, ainda mais eu que encho o peito para dizer que sempre sou sincero com elas, que tento ao máximo blá, blá, blá. Tudo balela. Agora sim eu entendo e vejo, mesmo que tarde, que por várias vezes eu cometi esse erro.

Um erro que meu orgulho insiste em tentar mudar. Dizer que na maioria dos casos o saldo foi positivo. Meu orgulho tentando fazer de mim um mocinho bondoso e justo enquanto minha consciência sabe que na verdade eu posso ter sido bom pra muitas, mas com nenhuma delas eu fui justo.

Luis Renato dos Santos

Minha confissão

Essa é uma declaração que fiz a poucos, muitos poucos, em minha vida. Mas não há um dia, mais especificadamente uma noite, em que não pense em minha própria morte. Parece sádico ou mesmo depressivo, mas é um hábito. Algumas vezes é homicídio, mas em sua grande maioria é suicídio.

Posso estar feliz, posso estar triste, mas o pensamento sempre vem. Às vezes meu óbito é até um motivo de heroísmo, mas o fato principal não muda: eu sempre morro no final. Parece aqueles filmes em que você sabe o final, mas insiste em assisti-lo, só que no meu caso, assisto todos os dias.

Não sei se é escuridão da noite ou a solidão do quarto. Talvez seja alguma mágoa guardada. Talvez a saudade de algo. Motivos eu posso imaginar tantos, mas tantos que não caberiam neste texto.

Mas essa é uma guerra injusta. Se eu perder uma única vez, uma única batalha, eu perco a guerra. Injusto ter que batalhar contra a tentação, principalmente em dias difíceis.

Só de admitir esse hábito já é um grande passo. Resta-me agora, entendê-lo.

Luis Renato dos Santos

Meu eu

Ás vezes, eu sou um completo desconhecido mesmo para quem convive comigo. Parece que me escondo atrás de uma parede invisível e por mais que passe horas, dias ou até meses de conversas, no final você pode nada saber sobre mim de verdade.

Eu não sei dizer como exatamente eu consigo essa proeza, mas por vezes ela acontece. Pessoas passaram pela minha vida e por mais que eu soubesse descrevê-las inteiramente, elas pouco sabiam sobre mim. Podem conhecer minhas histórias, podem até mesmo saber que eu penso diferente, mas não saberiam me descrever. Parece difícil, mas é verdade.

Tenho certeza que minha pouquíssima vontade de me expor sentimentalmente ajuda em muito neste processo. Sei ainda que a confiança que transmito faça com que as pessoas mais falem do que me ouçam. Além de que, meu poder de observação pode também afetar.

Mas de todos os motivos que eu consigo pensar, sei que um deles é o principal. Sei que esse motivo é protagonista e tem o maior peso nesse processo todo: não dou a todos o luxo de que me conheçam. Reservo esse direito apenas a quem, com o tempo, mereça de verdade. A quem na verdade, desafie-me.

Sim, a quem desafie meu jeito alternativo de pensar, gente que consiga debater com qualidade às minhas idéias e que eu possa então, entender meu jeito diferente de ser, meus medos e objetivos. Afinal, somente os loucos se entendem.

Luis Renato dos Santos

Meu vício de você

Sigo naquele velho ritual diário de olhar suas fotos, abrir sua janela de conversação, mas paro por aí. Não tenho coragem de passar daí e te cumprimentar sem que nada tivesse acontecido, porque aconteceu. E não quero que penses que esqueci.

Continuo, sem cansar, pensando em você todos os dias. Imaginando uma conversa franca diferente das tantas que já tivemos. Persisto a escrever pra ti sem a audácia de postar. E escutando cada música esperando que se encaixe em nossa história.

Por mais que eu tente, isso é mais forte. Eu tenho que vasculhar sua vida para saber se está feliz. Por mais que nas poucas vezes que conversamos depois do ocorrido você continue mostrando indícios que faço falta, demonstrando fraquezas e ciúmes em pequenos gestos, eu preciso comprovar isso todos os dias. Está quase se tornando um vício.

Queria poder te observar por dentro, saber o que se passa na sua cabeça. Eu sei que essas fotos e essas indiretas não condizem com a verdade. Estou me viciando numa droga que me faz delirar. Até imagino você me amando.

E eu já não sei viver sem essa droga. Não saberia dizer não, caso se oferecesse assim, toda pra mim. Eu não teria essa força. Porque se há uma droga em que eu me vicio sem medo, essa droga é você.

Luis Renato dos Santos

Eu te desejo

Eu te desejo que conquistes apenas os sonhos que te torne verdadeiramente feliz, que tenha a saúde e a força necessárias para enfrentar os muitos desafios que ainda terás pela frente, que consiga sempre ter lucidez e que desfrute dos bons momentos com a mesma intensidade que aprenda nos momentos de dificuldade.

Quero que possa viver em civilidade e respeito, que tenhas as paixões necessárias para que amadureça o bastante a fim de reconhecer seu amor quando ele chegar e que tenha sempre alguém em que possa confiar, pois será preciso.

Não te desejo a superficialidade do sucesso e sim a gratificação do reconhecimento. Quero te desejar paciência porque cada coisa acontecerá em seu tempo, mesmo que queiramos antecipá-las. E que mantenha sempre a mente aberta para as novidades que hão de vir.

Espero ainda que consigas perdoar desafetos e inimigos. Que se lembre que sempre é preciso sonhar, mas também realizar. E, por fim, espero que tenhas fé, seja ela no que for, pois ela é essencial.

Luis Renato dos Santos